A festa de tempos atrás se repete, a casa é a mesma, só não
a dona. Hoje sou pela metade. Sinto pela metade. Vivo pela metade. Sobrevivo.
Mas, qual é mesmo o erro? Qual é mesmo a falta? De onde vem a falta? Quem é o
dono da outra metade? Haveria um dono a não ser eu? Quem me levou a outra
metade?
Guardei minhas metades em caixas de madeira decoradas de
afeto. Tranquei tudo que me faz falta e, o pior não perdi as chaves nem muito
menos as engoli. As chaves estão aqui, a minha vista, mas não posso abrir
minhas caixinhas cobertas de desvelo.
Não que eu não queira, hoje era o que mais queria. Ter de volta todas aquelas lembranças, viver nessa hora tudo que não foi vivido por ironia do destino. Nossa... o que mais queria. Mas, por agonia do acaso, não posso abri-las, não devo nunca abri-las. Ao menos até que o destino e o acaso de encontrem novamente e queriam que eu as abra.
Mas... Enfim, viver completa, cheia, era o que queria. Voltar a ser a Lua cheia, que ainda não sabe ser de novo cheia. Ser, no entanto, só minha, pois aprendi que se a casa peripécia do acaso eu me doar pela metade, ao passar da próxima não restará mais nada da Lua, haverá eclipse total. E não pretendo perder-me como outrora. Contrariamente, hoje vivo em busca do que perdi para voltar ao que fui antes do meu melhor e pior eclipse.
Lua Litpos
-2011-
-2011-
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