quarta-feira, 25 de julho de 2012

SOBRE QUANDO A CASA ESTÁ CHEIA E VOCÊ É SÓ VAZIO

Porque sempre é tempo de disseminar o que me veio em tempo inoportuno...


A festa de tempos atrás se repete, a casa é a mesma, só não a dona. Hoje sou pela metade. Sinto pela metade. Vivo pela metade. Sobrevivo. Mas, qual é mesmo o erro? Qual é mesmo a falta? De onde vem a falta? Quem é o dono da outra metade? Haveria um dono a não ser eu? Quem me levou a outra metade?
Guardei minhas metades em caixas de madeira decoradas de afeto. Tranquei tudo que me faz falta e, o pior não perdi as chaves nem muito menos as engoli. As chaves estão aqui, a minha vista, mas não posso abrir minhas caixinhas cobertas de desvelo.

Não que eu não queira, hoje era o que mais queria. Ter de volta todas aquelas lembranças, viver nessa hora tudo que não foi vivido por ironia do destino. Nossa... o que mais queria. Mas, por agonia do acaso, não posso abri-las, não devo nunca abri-las. Ao menos até que o destino e o acaso de encontrem novamente e queriam que eu as abra.

Mas... Enfim, viver completa, cheia, era o que queria. Voltar a ser a Lua cheia, que ainda não sabe ser de novo cheia. Ser, no entanto, só minha, pois aprendi que se a casa peripécia do acaso eu me doar pela metade, ao passar da próxima não restará mais nada da Lua, haverá eclipse total. E não pretendo perder-me como outrora. Contrariamente, hoje vivo em busca do que perdi para voltar ao que fui antes do meu melhor e pior eclipse.

Lua Litpos

-2011-

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