Será possível ser mulher, dona de si e ter um amor?
eu diria que não, após a segunda separação devo ter conhecimento de causa para afirmar.
No entanto, escrevo esperançosa, gostaria mesmo de ser contrariada um dia, meu sonho mais profundo era ser contrariada um dia, confesso.
Foram inúmeras as tentativas, inúmeros os encontros e desencontros.
Sou a tia amargurada, sou a Eva destruidora da perfeição de lares? Talvez.
O primeiro…
O segundo…
O terceiro…
Como a música de Chico, os números ordinais são escassos para as tentativas hercúlias…
Perseveremos, no entanto, diz a minha terapeuta.
Esperancemos, então, diz o Paulo Freire.
Ele diz isso sobre outra coisa, mas achei que poderia estar falando de relacionamentos também, sei lá, tudo se resume a relaciona-se, não?
Sua vida é um compilado de relações.
Sua relação com a comida? Pergunta o nutricionista.
Sua relação com o álcool? Pergunta o psiquiatra.
Sua relação com a mãe? Pergunta a psicóloga, ou Freud, também.
Sua relação com o trabalho? Pergunta o chefe, esperando encontrar alguém com a vida tão vazia que possa dar cento e cinquenta por cento de si para isso.
Sua relação…
Qual sua relação? Com o mundo? Já pensou hoje?
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